Os médicos já me tinham avisado, várias pessoas também, mas claro, só com a experiência se vê o que realmente é. Viver com uma pessoa que tem Parkison é complicado. Principalmente quando é alguém relativamente novo e que amamos muito. A falta de dopamina no cérebro, algo que eu nem sabia até há uns 6 anos que existia, tornou-se uma frase comum cá em casa. E que falta que faz essa bendita dopamina. Sem ela a pessoa que dantes era alegre e linda e vivaça passou a ter uma cara "zangada" ( falta de mímica facial), parada e demasiado corada. E passou a ter que ser tratada quase como uma criança de 4 anos. Porque aquele cérebro não assimila as coisas, precisa de muitas repetiçôes, de muitas explicações, muita paciência. A lentidão é do pior. Tanto física como intelectual. É o que exige mais paciência, pois se numa criança a podemos pegar ao colo e dar duas palmadas, a um adulto não o podemos fazer. E cansa e martiriza, pois é a última coisa que queremos para alguém que amamos, a degradação, física e intelectual.
Portanto, a única alternativa é respirar fundo e sorrir. O caminho faz-se caminhando e sorrindo e nem todos os dias são maus, todos os dias há coisas felizes para se comemorarem.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
O querido Sócrates, tem a mania de começar as frases com um "sim" ou "não" e depois diz o contrário, por exemplo:
jornalista: o sr vai fazer não sei o quê?
Sócrates: sim, é claro que não vou fazer não sei o quê.
jornalista: o sr não vai aumentar os impostos?
Sócrates: não, é minha clara intenção aumentar impostos.
jornalista: o sr devia ser queimado em praça pública, concorda?
Sócrates: claro, sim, obviamente que não pensei nisso ainda, mas desde já não concordo.
jornalista: o sr vai fazer não sei o quê?
Sócrates: sim, é claro que não vou fazer não sei o quê.
jornalista: o sr não vai aumentar os impostos?
Sócrates: não, é minha clara intenção aumentar impostos.
jornalista: o sr devia ser queimado em praça pública, concorda?
Sócrates: claro, sim, obviamente que não pensei nisso ainda, mas desde já não concordo.
segunda-feira, 17 de maio de 2010

Acabei de dar banho, vestir e pentear a minha mãe. Foi a primeira vez e não sabia que custava tanto, parece que acabei de correr 500 kms. Felizmente e depois de revirar esta aldeola de cima abaixo, consegui-lhe consulta no ortopedista amanhã. Vamos ver se fica melhor logo logo. É nestas alturas que uma pessoa se sente impotente, detesta a solidão, o não ter quem ajude, quem dê uma mãozinha, um apoio, um confortozinho, mesmo pequenino. Melhores dias virão, diz-me sempre o meu coração. Até rimei.
domingo, 16 de maio de 2010
O meu homem raramente bebe, às vezes lá bebe um copito de vinho, um martini, um Porto, coisinha pouca. Mas adora, ADORA vinho do alentejo. Ora, uma noite destas, nas vacances, claro está, jantou-se bem e ele bebeu um jarrinho de vinho da casa, que era bom para caraças, sei eu, porque molhei os lábios.
Ao deitar, estava ele já a dormitar na cama, fui tomar uma banhoca, para ficar cheirosa e lavadinha. E até me sentia sexy e pronta para uma noite aventureira.
Quando voltei, lá abriu um olho a custo e perguntou-me o que é que eu tinha estado a fazer. Respondi que tinha estado a tomar duche, se ele não sentia o cheirinho, a frescura da minha pessoa e se não tinha ouvido a água a correr…
Resposta dele : “ouvi, mas com a sonolência, imaginei que fosse vinho, litros e litros daquele abençoado néctar que bebi ao jantar”…e fechando os olhos, sorriu, com ar apatetado.
Dormiu-se muito naquela noite. Dormiu-se tudo o que havia a dormir, dormiu-se como se não houvesse amanhã! Onde raio é que se assinam os papéis para o divorcio, onde é que é?
Ao deitar, estava ele já a dormitar na cama, fui tomar uma banhoca, para ficar cheirosa e lavadinha. E até me sentia sexy e pronta para uma noite aventureira.
Quando voltei, lá abriu um olho a custo e perguntou-me o que é que eu tinha estado a fazer. Respondi que tinha estado a tomar duche, se ele não sentia o cheirinho, a frescura da minha pessoa e se não tinha ouvido a água a correr…
Resposta dele : “ouvi, mas com a sonolência, imaginei que fosse vinho, litros e litros daquele abençoado néctar que bebi ao jantar”…e fechando os olhos, sorriu, com ar apatetado.
Dormiu-se muito naquela noite. Dormiu-se tudo o que havia a dormir, dormiu-se como se não houvesse amanhã! Onde raio é que se assinam os papéis para o divorcio, onde é que é?
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