quinta-feira, 22 de abril de 2010



Esta querida dava-me um jeitão, ai dava dava.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Passo a vida à espera. Que me telefonem, que me venham buscar, que apareçam, que se lembrem de mim. Deve ser algo genético, a minha mãe também passou a vida dela à espera. Esperamos amores, esperamos milagres, esperamos contactos, sorrisos, esperamos que não nos mintam, que não nos magoem. Afinal todos esperamos essas coisas, mas eu dou sempre por mim à espera de algo ou de alguém. Porque ou crio demasiadas expectativas ou não sou capaz de tomar a iniciativa, virar a mesa e fazer eu própria algo. Que os outros não esperam de mim.


Hoje acabei de ler este romance. Escusado será dizer que adorei. Pelas emoções, pela sensibilidade, pelos silêncios.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eu e a Cabovisão



Então foi assim:
Como no Natal ganhei de presente do meu amor fofo uma Tv digital, daquelas Lcd, grande e linda de morrer, achei que deveria pôr canais digitais e HD, para ver tudo assim lindamente e tudo e tudo.
Como sou cliente antiga da Cabovisão, pagava um balúrdio apenas por ter tv e internet, já que eles querem é angariar clientes novos, fazem-lhes preços que são uma pechincha e a malta antiga que se lixe e pague uma nota preta.
Como já devem ter percebido, isto de tecnologias para mim, é tipo falar mandarim, acho giro e tal, ah pode-se ter uma boxe e gravar programas? Que giro!...mas fico-me por aí. E fico-me muito bem.
Bem convencida pelo meu homem e farta de ser esmifrada pelos tipos da cabovisão, lá me dirigi a uma das lojas deles. Fui com medo, mas fui. Até me arranjei melhor e tudo, tal não era a nervoseira.
Fui simpáticamente atendida por uma rapariga, que me disse logo o contrário do que me tinham dito por telefone…mudar o contrato para o nome de outra pessoa que viva lá em casa e reduzir drásticamente o preço da mensalidade, não senhora, que era ilegal, nem pensar…fiquei um bocadinho confusa e comecei logo a transpirar, mas foi isso que me disseram pelo telefone, não fui eu que inventei essa imoralidade, disse eu com voz assim sumida…
Nah nah! Então a a rapariga, simpática, que era, arranjou-me ali uma solução, que fica entre o preço exorbitante que eu pagava e o preço de amigo para os novos clientes, uma coisinha intermédia, que ainda poupa uns bons euros por mês e inclui a dita cuja box, a que grava, aquela milagrosa, telefone com muitos minutos de conversa de borla e a internet. Achei a ideia boa, ao fim de um ano poupa-se muito dinheiro e pimba, lá assinei a papelada.

Eu sabia que estava para vir o mais difícil, que é a parte dos rapazes irem lá a casa instalar as coisas. Mas respirei fundo e esperei. Eles lá apareceram, atrasadissimos, como é costume, mas uma pessoa é tolerante, vá lá, nem 8 nem 80…
Escusado será dizer que estes moços a mim parecem-me todos iguais. Despenteados e com as cuecas a aparecer quando se baixam. O cheiro também não é dos melhores, mas pronto, as pessoas estão a trabalhar em esforço, dá-se o desconto…vá lá.
O local onde iria ficar o telefone foi logo o primeiro problema. Porque tinham que ter uma ficha e mais não sei o quê, que não dava para ficar onde estava, praticamente tinham que me passar fios pela sala toda, colados à parede, eu detesto fios, tenho pavor a ver fios, ai a minha vida…depois de eu, sempre educadamente, claro, dizer que assim não dava, que assim não queria, teria que haver uma solução e coisa e tal, o senhor mais velho e com mais bom senso, lá arranjou um local mais aprazível, onde a passagem de fios é mínima e o telefone não fica mal. Ufaaaaaaaaaaaa, respirei fundo.
O pior foi para ele ligar a pistola de silicone, aquela onde se mete o silicone sólido e ele sai liquidozinho, pronto a usar. Aquela pistola tinha mais de cem anos-cem! Nunca tinha visto coisa mais velha, toda a desfazer-se, e de cada vez que era ligada à corrente, pufff, o quadro eléctrico disparava e ficávamos sem luz. E eles, com cara de parvos, ahh, olha a luz foi-se, olhavam um para o outro, olhares vazios…e eu, com voz sumida…não teria sido de ligar a pistola? Ahhhhhh, pois foi, olha que chatice. E eu lá respirava fundo, bebia uma águinha, podia ser pior.
Depois da televisão e box e tudo isso instalado, explicou-me assim de raspão o funcionamento da coisa. Na altura até achei fácil e é, mas quando me atrevi a perguntar o modo de pôr aquilo a gravar, levei com um vá ver ao livro que é mais fácil do que explicar, e será, entendo que não possam explicar tudo detalhadamente a toda a gente, pronto, com tempo e paciência eu chego lá.
Ora, os senhores eram dois e só tenho falado num deles, onde estava o outro desde que chegou aqui a casa, onde? Refasteladamente sentado numa cadeira da casa de jantar, mal chegou, nem uma dúvida se se devia ou podia sentar, ora vamos lá masé descansar que o dia tem sido duro, deve ter pensado. E ali se manteve o tempo todo, a bocejar, a esfregar os olhos, a falar ao telemóvel, e a bocejar e a falar ao telemóvel e a esfregar os olhos e bocejar. Esse querido pediu-me o computador,a parte da informática era com ele, só para ver ali uma coisa, aquilo era automático, ele não tinha que fazer nada, nem se levantou, o computador é portátil, venha-mo cá trazer que estou cansado, pensou para os seus botões.
Não havia internet. Começou ali o grande drama. Tentativas e mais tentativas e nada. E ligava cabos e desligava, e nada. E deve ser o computador que ainda não assumiu não sei o quê, e eu a olhar, à espera, amedrontada. E nada de nada, net não havia. Houve ali uma hora de bocejos e esfreganço dos olhos e o computador, nem um soluço. Porque o router não era da cabovisão e ele assim não se entendia e mais não sei o quê… Ora, como o meu gajo percebe de ligações e essas coisas do demo, eu já levemente irritada, disse-lhe que seria boa ideia ligar-lhe e falarem, talvez ajudasse. Boa ideia. Lá falaram, o quê, não sei. Mas sei que lhe foi explicado tim tim por tim tim tudo o que fazer. De nada adiantou. Até que me disse,com voz sonolenta diga-me lá a senha do router, nem se faz favor, nem nada, ao que eu lhe respondi, dizer não digo, mas posso escrevê-la. E ele, ah pois, isso! Pois amigo, as senhas não se dizem a estranhos, para isso é que são senhas e são confidênciais, boa? E escrevia-a, muitas vezes. E continuavam os bocejos e os olhos quase fechados, até que eu lhe disse que tinha realmente pena de não ter café em casa, senão ia-lhe fazer um, porque o senhor estava nitidamente a morrer de sono. Como nem ele nem eu percebemos se eu estava a brincar ou se estava já irritada com aquilo, ele apenas sorriu e disse, meio a dormir, ora deixe lá… não se chateie. E a saga da internet contínuou por mais uma hora, é que se fosse um router da cabovisão tudo bem, agora assim, não conseguia, não era competência dele e eu, que ninguém me tinha dito que era necessário ter um router da cabovisão, que expliquei à rapariga simpática que o router era meu e ela não objectou nada e ficámos naquilo…e ele que não e que não, e eu que sim e que sim, se vêm fazer um serviço que o façam correctamente e daquilo não saíamos. Até que desisti. Tinham sido quase 3 horas naquilo, tinha mais que fazer, liguem lá um cabo que prefiro ficar sem wireless, depois arranjo quem me faça isso ( o meu gajo, claro), já que vocês são uns incompetentes. O senhor mais velho foi logo ao carro buscar um cabo, enquanto o doce rapaz da mosca tsé-tsé me disse que ia fazer a última tentativa, tipo, esta estúpida pôs a minha honra em causa, agora vou-me empenhar ao máximo. Lá rabiscou uns números num papel, seguiu pela milésima vez os passos que o meu homem lhe tinha indicado, escreveu os números no computador e …voilá!! Já tinha wireless!! Alegria das alegrias, o rapaz até parou de bocejar e sorriu. Eu quase que me esqueci das figuras que ele fez a tarde toda. E lá foram os dois, pelas escadas que o elevador é lento, sumiram-se. E assim acabou. Cabovisão, é sempre a mesma coisa, não é? Nunca aprendem, estes grandes queridos...

domingo, 18 de abril de 2010

O tempo esteve chato, choveu que se fartou e fez uma trovoada enorme...mas estive nos braços do meu-mais-que-tudo, por isso, o mundo podia acabar, que continuava tudo óptimo :)

sexta-feira, 16 de abril de 2010



Há bocado passei no blog da Cocó e vi este eléctrico, o 28 e bateu uma saudade tão grande! Quando fui estudar para Lisboa, fui morar em Campo de Ourique, bairro que amo, e foi no 28 que passei muitas horas, da casa para a faculdade, da faculdade para casa, apanhei muitas molhas em frente da Basílica da Estrela, a "secar" à espera do eléctrico. Durante as viagens tomei decisões, revi um amor antigo, sorri muitas vezes e chorei algumas.
No último Natal que passei com o meu pai, entes dele morrer, fomos os três, eu ele e a mãe à baixa de eléctrico 28. Parámos no Martim Moniz, fizemos comprinhas no Chiado, na rua Augusta, fomos lanchar à Suiça, é uma das mais doces memórias que tenho de nós três todos juntos. Uma entre milhares.
O 28 passava na minha rua, e embora o meu quarto fosse virado para o outro lado, ouvia-se sempre o 28, já sabia de cor as suas paragens, os seus "encravanços", a campainha que tocava quando algum carro estacionava nas linhas, até os condutores já eram conhecidos e por vezes faziam o "jeito" e paravam quando uma pessoa se atrasava e já o apanhava em andamento.Outras vezes, e como aquilo era velho e com poucas condições, vi muitas pessoas, incluindo eu, dar grandes malhos em pleno eléctrico!Mas o caminho tinha que se fazer, e aquele era o meu meio de transporte. Posso mesmo dizer que o 28 faz parte da minha vida, como deve fazer da vida de muita gente.
Agora que descobri ser uma rapariga "extremamente mimada", resolvi assumir tudo! Sempre "de rabo alapado no sofá", "à espera das coisas", que maçada, ainda engordo masé até aos 90 kgs e ganho calos no dito cujo...E portanto, a partir de agora é assim, assumidamente sentada, venha-me tudo parar às mãos, se faz favor.
Quero as malinhas giras e baratas da Pull & Bear, já que não posso comprar a que quero, porque é caríssima. Quero 3 pares de sabrinas para conjugar com as roupinhas de verão, que quero que sejam bastantes (e com as malas, obviamente). Quero as sombras da Chanel e um baton da mesma marca, só porque preciso muito, e este muito quer dizer já em desepero. E pode ser também um blush e mais qualquer coisinhas, vou pensar no assunto... Já que as alianças se estão a desfazer, quero uma nova, linda de morrer, assim modelito à escolha cá da je! (e tu usas uma igual, se faz favor, já que eu mando!)
Quero ir ao cinema ver todos os filmes que tenho na lista dos whises e quero passar umas férias maravilhosas num sítio paradisíaco. ( se for contigo, qualquer espreguiçadeira acompanhada por raios de sol e piscina, servem)!
Um dia, não tarda masé muito, sim, que eu sou a exigência que se sabe, quero um apartamento com vista para a ria, grande e com closet, varandas enormes e ares condicionados por todo o lado. Se for preciso contrata-se depois um alergologista para tratar as alergias, 'tá claro. E empregadas para limpar e cozinhar, obviamente. O carro por enquanto, não penso mudar, mas nunca se sabe, infantil e irreponsável como sou, qualquer dia quero um novo, dos das 3 argolinhas à frente...E preciso de mais malas e cintos, e sapatos e brincos e anéis, óculos escuros e cremes e spas e sei lá eu! Exigente como sou, deixem-me concentrar, que depois digo mais qualquer coisa...

P.S. Claro que ninguém percebeu o contexto deste texto, mas há coisas tão ridículas, que quero poupar os meus queridos leitores a elas. Fica assim um private text, em modo desafabo.