domingo, 14 de fevereiro de 2010

14 de Fevereiro


14 de Fevereiro, um dia mau…
Hoje tudo correu mal…A começar pelo tempo, está um frio de rachar, mesmo com aquecimentos em casa uma pessoa anda gelada. A minha mãe está com uma dor de costas que a impede de tudo, amanhã tenho que ir com ela ao médico, não sei que médico, não sei onde. Da última vez que ela foi à rua, veio carregada com uma prenda para o meu mais que tudo, que afinal eu achei que ele não gostava e ela teve que devolver, se sentimento de culpa matasse, eu já não respirava…. Não há maior doce que a minha mãezona, que é só minha!
Há quase uma semana que durmo apenas 2, 3 horas por noite, o que me deixa completamente “fora de circulação”, cheia de tonturas e mau humor. Juntando à TPM que já tenho, o caldo entorna-se ainda mais e mais…
A casa estava um bocado “bagunçada”, e tive que fazer as coisas, cheia de dores de cabeça e nenhuma vontade…mas pelo menos aqueci, já não é mau.
Para cúmulo, e como 4 ou 5 desgraças nunca vêm só, o meu namorado /marido, hoje, nem uma palavra de carinho, apoio, nem uma mensagem alusiva ao Valentine´s Day, nem um “amo-te”, só silêncio…
Na televisão deram um filme comercial, daqueles giros, comédias românticas, que ajudam a passar o tempo, e não foi só descascar a cebola para a sopa que me fez chorar…
Quando eu entender o porquê de tudo isto, está o problema resolvido, sou assim, apesar da dor, do sofrimento, quando me explicam o porquê das coisas, resolvo tudo nesta cabecinha de vento…
E pronto, hoje foi este o meu desabafo, estilo lamúria…últimamente tenho disto mais vezes do que gostaria.
E pronto, agasalhem-se, sejam felizes, hoje e sempre.
M.S

sábado, 13 de fevereiro de 2010




Dia dos Namorados

Quando se está com o amor da nossa vida, todos os dias são dia dos namorados. Havendo ou não prendinhas, mimos especiais, ou simplesmente um olhar ou uma palavra carinhosos, tudo isso é amor, tudo isso somos nós, eu e tu.

Por isso te deixo aqui um beijo, meu, especial e enorme, e mesmo estando afastada fisicamente de ti, neste dia 14, este é mais um dos nossos dias :)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

What if I...






What if if…
E seu eu não fosse como me vêem?
Se não fosse alta e mais ou menos magra, fosse atarracada e gordinha? Se a minha pele tivesse rugas e uma verruga no nariz? Se cheirasse mal? Se não fosse inteligente, se não fosse o que sou? Já pensaram nisso? Gostariam de mim, como gostam?
Esta é a pergunta que muitos de nós colocamos, inúmeras vezes, quando já nem “podemos” connosco próprios, quanto mais vocês…
Às vezes queria ser baixinha, para não me verem, gorda, para os homens não me desejarem, rugosa e desleixada, para me deixarem em paz…burra que nem um calhau para a minha opinião não ser pedida por tudo e por nada, poder ir de pijama para a rua e ninguém dar por mim.
Exige-se demasiado às vezes. É-nos impedido ter um mau dia, não nos apetecer sorrir, nem estar linda e radiosa, porque, simplemente, não.
Temos que agradar a gregos e troianos, e ao marido e à mãe e ao pai, e ao colega de trabalho e à colega, que morre de inveja, porque as mulheres se detestam umas às outras, nunca percebi porquê, mas deve ser como as brujas, que las hay, las hay…
Temos que fazer amor, que sorrir, que estar penteadas, depiladas, liofilizadas, cheirosas, hidratadas, cuidadas, bem vestidas, sermos o cúmulo da inteligência, do bom humor, da sabedoria, do profissionalismo, sermos excelentes mães, avós, tias, primas , donas de casa e escritoras, e empresárias, quando tudo o que nos apetece é : “DEIXEM-ME EM PAZ, QUERO SILÊNCIO!!”
E pronto, este foi o meu desabafo do dia! Às vezes é só disso que preciso, para continuar a ser mulher. Às vezes…

M.S

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Armadilha dos Abraços


E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato Faria

Obrigada Rosinha, até um dia...:)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

As sabrinas de verniz preto


Naquele dia calcei as sabrinas de verniz preto. Sabia que ia andar muito e convinha-me ter calçado cómodo. De verniz preto porque, não é à toa que se calça algo de verniz preto. Para já é preciso ter o pé e a pena elegante, ou corre o risco de parecer um elefante de sandálias e porque é preciso segurança e auto confiança para o fazer. Só as mulheres conseguem compreender isto.

E não me enganei. Viajámos muito, percorremos léguas, milhas, anos luz de caminhos, de histórias, de acontecimentos. Vimos nascer e morrer uns quantos sóis, apareceram e desapareceram tantas luas, tanta gente se cruzou e descruzou connosco. Nem um único rosto fixámos, nada se moveu, o mundo deu uma volta inteira e tudo ficou inacreditávelmente no mesmo sítio.

Houve um momento em que vacilei, uma bolha no pé, parámos, resolveu-se a situação, fui amparada durante uns minutos, ou foram horas, perdi a noção do tempo, não sei. As sabrinas de verniz preto resistiam, sómente alguma poeira a ofuscá-las, mas o brilho não esmorceu.

Quantas vidas vivemos naquele dia, quantas pessoas matámos, quantos medos enterrámos, quantos fantasmas criámos?

Sei que começámos uma nova vida ali, naquela baía, ao sol posto. Uma nova vida como as antigas, cheia de risos, angústias e vicissitudes, mas nova para mim, nova para ti.

Tinhas os olhos verdes e um sorriso envergonhado. Eu calçava umas sabrinas de verniz preto. Lembras-te?


M.S

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


Às vezes a saudade

Às vezes a saudade anda dentro de nós e nem damos por ela. Temos problemas para resolver, coisas que nos preocupam, pessoas para cuidar, e ela ali, a crescer, silênciosamente. Não incomoda, apenas é.

Conforme cresce, há algo em nós que não está bem, um desconforto, uma dorzinha que incomoda, mas não sabemos explicar onde, nem porquê. E cresce, cresce, até se tornar evidente, até se sobrepôr a tudo o resto, até se tornar uma dor que identificamos, que queremos que desapareça, que nos aleija. Como nem sempre a podemos matar, como nem tudo é como queremos, temos que viver com ela, se calhar já não tão silênciosamente.

E quando é ela que já manda na nossa vida, quando respiramos e deitamos saudade por todos os poros, se temos a sorte de podermos voar e olhar para quem amamos, repousar a nossa cabeça no seu colo, partilhar o mesmo ar, a mesma pele e os mesmos silêncios, aí a palavra saudade é substítuida por outra, mas doce, mais agradável, chamada felicidade. Pura felicidade.

Quando ainda vamos a tempo

20 janeiro 2010

M.S

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


O casamento dos cidadãos portugueses

Acho muitissimo bem. Todos os cidadãos têm direitos alienáveis e o casamento é um deles. Faz parte da intimidade e é um direito que todos podemos dever exercer.

Há quem concorde, há quem se oponha, mas é um facto. E ninguém deixa de ser cidadão tendo em conta a sua orientação sexual. Até aqui tudo bem, tudo em ordem. Refiro-me ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, recentemente aprovado pelo Governo.

Mas…há pessoas, e penso que não serão tão poucas como isso, que não são consideradas cidadãos de Portugal. Refiro-me aos deficientes, pessoas que infelizmente têm problemas de saúde que as incapacitam para trabalhar. Nem todos as pessoas que têm deficiências entram neste “bolo”, pois estou a falar particularmente de pessoas que recebem uma pensão social do Estado, ou por não terem bens ou rendimentos ou por não terem descontado tempo suficiente para a Segurança Social, se chegaram a trabalhar.

São pessoas, mas não cidadãos, que recebem pensões mínimas, que nem chegam aos 300 euros por mês. São pessoas que têm que comprar medicamentos, cadeiras de rodas, fraldas, pagar fisioterapias, médicos, lares, enfermeiras, e tudo o mais que possam imaginar. Além de que, como pessoas que são, deveriam ter direito a viverem com o estatudo de pessoas humanas. Vestirem-se, calçarem-se, comerem e distraírem-se como todas as outras. Terem casa, água, luz, telefone, mobílias, carro, computadores, etc. Mas não…nem cidadãos são. São apenas pessoas doentes.

Há pessoas casadas, que por uma qualquer partida da vida, ficam incapacitadas, têm direito a esta pensão, são casadas há anos… têm duas opções, ou se divorciam ou a perdem. Será isto justo? Onde está a dignidade e o respeito pelo ser humano? É no mínimo, ridículo, inqualificável.

E não estou a falar de mendicidade. Estou a falar de gente inteligente, de boas famílias, que possivelmente estudou, tirou um curso universitário, já teve uma vida cómoda, nem toda a gente deficiente é atradasa mental, com todo o respeito que eles me merecem. Estou a falar de gente que todos os dias encontramos na rua, que se calhar até vive no prédio da frente…

Pois bem, estas pessoas, que não são cidadãos de Portugal, não se podem casar com alguém que ganhe o equivalente à exorbitante quantia de metade do ordenado mínimo nacional. Leram bem, 50% do ordenado mínimo. Se casarem, é-lhes imediatamente retirada a pensão. Porquê? Porque é o Estado que lha paga.

O Estado, liderado pelo Palhaço, esse senhor tão bem descrito na crónica do Mário Crespo , o senhor que nos rouba, que se enche a ele próprio e aos amigos saloios, que não sabem escrever , nem falar correctamente, mas por pertencerem ao partido, foram parar às grandes empresas, que adjudicam o Tgv, as autoestradas, a industria farmaceutica. O senhor que vem falar no modelo finlandês, que vem falar de justiça social, (ele saberá os direitos dum deficiente na Dinamarca ou Suécia?) O senhor do freeport, das escutas apagadas, o senhor que tirou um curso que não existe, e foi colega de outros senhores que fizeram o mesmo, faz birra porque quer maioria absoluta e precisa dos votos dos gays e das lésbicas para roubar ainda mais e patrocinar melhores vidas aos amigos e colega e a ele próprio.

O senhor que paga rendimentos de reinserção social, rendimentos mínimos, rendimentos de toda a ordem a quem apenas não lhe apetece trabalhar, oferece computadores, paga para que étnias diferentes se insiram na sociedade, quando essas étnias não se querem inserir em absolutamente nada.

O casamento é um direito alienavel de todos os cidadãos. Concordo. E os que recebem a miserável pensão social? Não são cidadãos? Não têm direito de se casarem com quem eles muito bem entenderem, só porque esse alguém ganha mais que o ordenado mínimo? É pecado ou crime casarem com alguém que até que até ganhe bom dinheiro? É um crime maior que mentir, roubar e enganar milhões de pessoas, pessoas que, deveriam ser todas, sem excepção, considerados cidadãos Portugueses?