sábado, 3 de julho de 2010

Palavras

Dizes que digo o que me vem à cabeça. Nada mais errado, digo apenas aquilo que quero. Tenho um filtro automático, não sai nada que não queira dizer. Algumas vezes ficam é coisas guardadas. Coisas que sei que magoavam os outros, coisas incómodas, coisas que não era hora de dizer.
As palavras são o que mais precioso tenho, o que mais prezo, aquilo com que me dá mais gosto brincar. Sempre mantendo os meus códigos de honra e conduta, uso-as a meu bel prazer, quais pérolas preciosas, muitas vezes raiando o limite da brincadeira e do non sense, do riso e da liberdade que me caracterizam.
Não tenho amarras, as minhas únicas amarras são as pessoas que amo. Mas nem por elas deixo de usar as minhas palavras, que me distinguem dos outros. Que tal como os meus silêncios, são preciosas.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Mudança

Teve que ser, livrei-me do cor de rosa! Ah ah! Consegui!! Desde pequena é a minha cor preferida em quase tudo. Ele são os bikinis, os chinelos de praia, os de quarto, camisas de dormir, escova de dentes, enfim, até a mala de viagem é violeta. E aqui o estaminé também estava rosinha, que enjoava. Assim fica mais clean, tem mais a ver comigo. Qualquer dia mudo outra vez.

Sonhar



Ando a sonhar muito. Demais. Cansa-me sonhar tanto, viver tanta coisa em tão pouco tempo. Às vezes voar, outras cair, outras até morrer. Estar doente, voltar a estar com o meu pai e até casar. Estar perto e longe, com gente que não vejo há décadas, outra que nem sei se existe. Em poucas horas viver tantas vidas, tantas aventuras. E acordar no mesmo sítio, à mesma hora, sózinha, sem os fantasmas dos sonhos. Cansa-me sonhar tanto.

Férias?

E aqui estou eu num dilema. Mais um. Está na hora das férias, de praia, o único sítio onde consigo realmente relaxar e passar uns tempos fantásticos, porque sempre adorei praia. E quando falo de praia, é Algarve, o único sítio no país onde faz tempo digno de verão e onde a praia, pelo menos para onde vou, é boa boa boa, com calor, nada de ventos, nada de céu nublado e água mais quente. A casa também é minha, portanto vou quando quero e me apetece. O problema são os 400 e tal kms para lá chegar, é carregar o carro, é ir só com a minha mãe. Nada de braços de homem para me carregar as malas, nada de ajudas para alombar com os 450 kms, é conduzir até já estar dormente. É chegar lá e ter que limpar a casa, ter que fazer camas, ter que verificar se todos os electrodomésticos funcionam, é ir ao supermercado, enfim, é cansativo. E o meu homem a trabalhar, lá na casa dele e eu cheia de saudades. Por isso, antes de ir ando sempre no dilema, vou-não-vou-vou-não-vou. Toda a gente me diz "ai, quem me dera ter uma casa no algarve", mas eu preferia ir para um hotel, não ter que ir carregada de lençóis, fronhas, toalhas, roupões de banho, secador, e um monte de tralha que é necessária. Era um hotel e a roupinha do corpo, isso eram realmente férias.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Babyliss



Então é assim, para caracóis, esqueçam. Tenho é pachorra e nem custa nada alisar muito bem, como já é fino ajuda e fica lisinho, super brilhante, com um toque diferente, mais suave, mais bonito.

Isto é brincadeira, certo?

Aproxima-se um fim de semana e o tempo voltou a parecer Outono. Céu nublado, ares de chuva, brisa mais fresca. Estamos em Julho, JULHO, mês de Verão, senhores que regulam aí o estaminé. Há pessoas com férias marcadas, dinheiro gasto, vamos lá a atinar, senão é coisa para nos zangarmos à séria! 'Tá???!

Cem e-mails de amor e um de ódio

Noite sim, noite não, ela deitava-se e já tarde na noite, escrevia-lhe uma carta de amor. Durante a noite os sentimentos estavam mais vivos, falavam melhor a linguagem dos amantes, fluíam naturalmente. Sentada na cama, computador no colo, uma enorme taça de gelado ao lado, ela escrevia o que lhe ia na alma, revelava sonhos, alimentava a paixão que lhe consumia os dias, o corpo e a mente. Depois enviava-lhe o e-mail, advinhando a alegria e o prazer que lhe dava. Alimentavam assim uma imensa paixão virtual, que tinha começado na realidade, quando ele lhe tirou a vez na caixa do hipermercado. Isso gerou uma troca de palavras azedas, seguida de pedidos de desculpa, e um convite inesperado para um café, mesmo ali, no bar do hipermercado. Daí à troca de e-mails foi um passo. Foi dele que partiram todas estas iniciativas, logo ela via-se na obrigação de retribuir, da melhor forma que sabia, escrevendo. E escrevendo sobre o sentimento que se foi apoderando dela, primeiro suavemente, depois duma forma completamente inequívoca, palpitante, pungente. E as retribuições dele ainda mais a faziam acreditar, querer aquele homem para si. Noite sim, noite não, ela fazia-lhe juras, promessas, revelações, cenários doces e cheios de esperança. Esperando dele o próximo passo, o pedido de concretização daquele sentimento, o cheiro dele no dela, o ombro dela no dele. Passaram assim meses, naquela dança de mails, de convites velados, de propostas silênciosas, aumentando a excitação, a esperança, a ansiedade. Sentia-se feliz, quase preenchida.
Um dia ele traíu aquela paixão. E ela, sentada na cama, muito direita, sem ainda ter tocado no gelado, enviou-lhe a primeira carta de ódio. A primeira e última carta de ódio. Depois comeu o gelado, fechou os olhos e adormeceu.
Quando o marido voltou do turno da noite, no bar onde trabalhava tapou-lhe os ombros descobertos e depositou um beijo na testa desta mulher que amava.